Respeite os limites do seu corpo




Apesar da prática ser uma das mais seguras, é possível sim se lesionar praticando Yoga.

Por isso, é tão importante observar o corpo e respeitar seus próprios limites.

Um dos pilares da filosofia do Yoga é a não-violência. Isto se aplica também ao próprio indivíduo, ao próprio praticante – a regra geral é que todos os angas de um Sádhana devem ser prazerosos e confortáveis.

Quem vai atrás de praticar Yoga está em busca de serenidade, paz, calma, pelo lado mental, e em busca de solucionar dores crônicas pelo corpo ou praticar uma atividade moderada, sem riscos.

Ao contrário do que parece, o Yoga pode sim ser muito vigoroso e suas lesões muito extremas. Existem pouquíssimos casos de lesões, mas existem pessoas que precisam até mesmo operar a coluna para corrigir lesões causadas pela prática milenar.

Por isso torna-se imperativo ao praticante estar atento ao seu corpo e respeitar seus limites.

Cada indivíduo tem limitações físicas únicas – sejam elas ósseas, musculares ou nervosas, elas existem e podem machucar de forma irreversível aqueles que não as respeitam.

Hoje, com a popularização da prática, praticantes avançados publicam fotos em ásanas dificílimos, coisa de contorcionista, e nós, reles mortais, desejosos em avançar na prática, acabamos por exagerar em nosso tapetinho, na busca pela perfeição de ásanas impossíveis para a maioria de nós.

Como professora, tive um impasse no início da minha carreira, uma vez que tenho problemas crônicos de coluna e já até passei por cirurgia.

Respeitando os limites do meu corpo, hoje eu entendo que eu posso ser uma boa professora. Sei também que a minha prática tem limites. Não avanço em determinados ásanas, porque, caso eu ultrapasse os meus limites, vou pagar caro com dores absurdas nas semanas subsequentes.

Tirando esse pequeno detalhe das limitações do meu corpo, a prática do Yoga é a única que me traz uma qualidade de vida incrível. Yoga me afastou definitivamente das fortes medicações anti-inflamatórias e contra a dor que tomei diariamente anos a fio.

Como praticante, é importante prestar atenção ao próprio corpo durante e após a prática. Muitas vezes, a lesão não aparece na hora do Sádhana, mas sim horas ou dias depois da aula.

Como professor, é importante observar cada aluno de forma individual. Cada pessoa tem uma história: existem pessoas que praticaram esportes desde a tenra infância e existem aquelas que nunca fizeram nada. Existem pessoas com condições físicas especiais, únicas, e existem aquelas que parecem de borracha. Fazer os ajustes nos alunos para a melhor execução de cada ásana é também primordial para prevenir lesões.

Ouvir seus alunos também é essencial para o melhor aproveitamento da prática.

Costumo sempre fazer algumas perguntas aos alunos antes de iniciarmos as aulas. 

Geralmente, ao perguntar se o aluno tem algum problema de saúde, a resposta é não. Mas ao longo das aulas acabo descobrindo que sim, existem várias “coisinhas” que as pessoas não consideram importantes na hora de conversar com seu professor de Yoga.

Essas “coisinhas” devem sempre ser respeitadas. Algumas delas são: pressão alta, dores articulares, depressão, insônia, febre, desgastes de ombros, joelhos, quadris e coluna, bruxismo, entre outros.

Além disso, a força, a flexibilidade e o equilíbrio de cada um devem ser respeitados.

“Yoga é o estado de observação de si mesmo”. Observe-se. Respeite-se. E supere-se – sem se machucar.

*Artigo publicado anteriormente no blog do YoginApp.

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