A respiração é fundamental para nossa sobrevivência. Podemos ficar alguns dias sem comida e sem água, mas sem respirar, é impossível. E apesar de ser primordial à nossa sobrevivência, respiramos de forma automática, curta e involuntária, sem nos darmos conta da importância e da influência que a respiração tem em nossas vidas.
Além de respirar para viver, nossa respiração está
diretamente relacionada ao nosso estado emocional: é perfeitamente possível – e
a ciência comprova – controlar as emoções a partir da respiração.
Nossos pulmões são grandes e têm uma capacidade incrível:
cabem de seis a seis litros e meio de ar nos pulmões de um homem adulto e dois
litros em uma criança.
Apesar dessa imensa capacidade, trocamos apenas meio litro
de ar com o ambiente a cada ciclo respiratório.
Comumente, respiramos somente com a parte mais alta do peito
– respiração apical – justamente a menor porção dos pulmões. A consequência da
respiração curta é que ela se torna mais acelerada.
Uma respiração curta e acelerada é entendida pelo cérebro que
o indivíduo está em estado de alerta, medo ou perigo. Como resposta, as
glândulas suprarrenais secretam quantidades abundantes quatro hormônios:
adrenalina, noradrenalina, cortisol e aldosterona.
Adrenalina
A adrenalina é um hormônio e também um neurotransmissor.
As suprarrenais secretam grandes quantidades de adrenalina
no organismo quando é necessário que o corpo esteja preparado esforços físicos
intensos. Assim, os batimentos cardíacos e a respiração são acelerados, a
pressão arterial é elevada, a sudorese é estimulada, e há uma produção extra de
energia, que transforma glicogênio e gordura em açúcares.
Um indivíduo em stress constante está sempre com seus níveis
de adrenalina altos, e como consequência há maior risco de seu corpo desenvolver
pressão alta, arritmias, doenças cardiovasculares, autoimunes, neurológicas e
psiquiátricas.
Noradrenalina
Como hormônio, atua no organismo nos deixando em estado de
alerta durante o dia, e à noite, quando seus níveis caem, auxilia na regulação do
sono. Como neurotransmissor, atua no sistema nervoso simpático, mediando
situações em que o cérebro interpreta a existência de um perigo. Age de forma
similar à adrenalina: aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial, o
ritmo respiratório e a contração muscular.
Quando existe excesso de noradrenalina no organismo, ocorrem
os seguintes sintomas: dores de cabeça, má digestão, insônia, perda de apetite,
cansaço, transpiração excessiva e mal estar geral. Além disso, estudos
comprovam que pessoas que sofrem de ansiedade crônica e depressão apresentam
excesso de noradrenalina.
Cortisol
Hormônio diretamente relacionado como resposta ao estresse.
O cortisol estimula a quebra de proteínas, gorduras e metabolização da glicose
pelo fígado. Quando o indivíduo encontra-se em situações de emergência, aumenta
a pressão arterial e o açúcar no sangue, aumentando a energia muscular – as
funções anabólicas do corpo, de recuperação e renovação de tecidos são
paralisadas e o organismo concentra-se em sua função catabólica (diminui a
perda calórica).
Quando o estresse é prolongado, os níveis de cortisol
disparam. O excesso de cortisol no sangue aumenta o risco de diabetes,
hipertensão arterial, acúmulo de gordura abdominal, depressão e em casos
extremos, Síndrome de Cushing.
Aldosterona
Hormônio que
participa no equilíbrio dos minerais e dos líquidos do organismo (balanço
eletrolítico).
Auxilia na retenção e absorção de sódio e reabsorção de
potássio e água no organismo.
Em excesso, o corpo retém líquido e como consequência há aumento
da pressão arterial.
Consequências
da respiração curta e acelerada
Sempre que o ser humano se depara com situações de alerta, perigo,
emergências e estresse, as glândulas suprarrenais secretam esses quatro
hormônios, de forma que o indivíduo avalie rapidamente a situação de perigo e
tenha reações instintivas de sobrevivência.
O grande problema é que o cérebro não identifica o que é uma
situação real e o que é, por exemplo, um estresse no trabalho, dentro do
escritório.
Temos então as duas principais causadoras do estresse: a
respiração curta e acelerada por si só, já que normalmente respiramos com a
parte alta dos pulmões, e a resposta a qualquer tipo de estresse, que faz com
que nosso corpo entre nesse constante estado de alerta e fazendo com que nossa
respiração se acelere ainda mais.
A consequência disso é um estresse constante, até levar a pessoa à
exaustão ou a problemas sérios de saúde, já relacionados ao aumento desses
quatro hormônios no organismo.
Como
reverter esse quadro?
Além de férias, terapia e exercícios físicos, os médicos estão
receitando que seus pacientes pratiquem Pranayamas. Isso mesmo: a indicação
médica é RESPIRAR.
As técnicas respiratórias do Yoga estimulam a respiração
profunda e lenta.
Respirar lentamente envia a informação ao cérebro que o
indivíduo encontra-se em situação de segurança, calma e tranquilidade, fazendo
com que o organismo naturalmente baixe os níveis desses hormônios.
Além de reduzir o estresse, os Pranayamas notadamente ajudam
no tratamento de doenças alérgicas e respiratórias, tais como asma, bronquite e
rinite, por estimularem a movimentação dos pulmões e aumentarem a troca gasosa
com o ambiente e diminuir o número de ciclos respiratórios por minuto.
A respiração profunda também faz com que os órgãos internos
sejam massageados, uma vez que o diafragma “empurra” os órgãos internos para
abrir lugar aos pulmões.
Durante o Pranayama, o praticante também precisa se
concentrar na técnica, e assim se dispersa dos seus próprios pensamentos para
fazer a contagem e a mentalização. Isso também estimula a mente a se
descontrair das preocupações.
Sugestão de Pranayama
contra o estresse
Raja Pranayama
O Raja Pranayama, ou respiração real, é a respiração
verdadeira. Lembre-se da última vez que você observou um bebê respirar. Quando
o bebê inspira, a barriguinha dele cresce e se expande. Quando o bebê expira, a
barriguinha dele murcha.
É assim que devemos respirar.
Ao inspirar, “abra seu abdômen”. Ao colocar o abdômen para
fora, estamos na verdade empurrando o diafragma para baixo, que por sua vez
empurra os órgãos internos, que por sua vez são “espremidos” e por isso
“aparecem”. Quando empurramos o diafragma, os pulmões então ficam “livres” para
que entre mais ar.
Depois de inspirar com a parte baixa dos pulmões, está na
hora de “abrir as costelas lateralmente”. Assim, você está respirando também
com a parte média dos seus pulmões. Perceba suas costelas crescendo.
Por último, respire com a parte alta dos pulmões, aquela que
você vem usando a vida inteira, mas inspire o máximo que você conseguir,
aumentando a parte alta do peito como se você quisesse tocar o peito no queixo.
Esse processo todo de inspiração deve ser lento, prazeroso e
confortável. Você deve prestar atenção a cada movimento do seu corpo. Por isso,
feche seus olhos e sinta todo o seu tronco crescendo em todas as direções (para
cima, para baixo e para os lados) durante a sua inspiração.
Toda inspiração deve começar pela parte baixa dos pulmões,
ou seja, sempre trabalhando com o seu diafragma primeiro.
Ao expirar, comece soltando o ar a partir da parte alta do
peito, esvaziando a menor porção dos pulmões. Depois esvazie a região das
costelas e por último a parte baixa dos pulmões. Ao fazer isso, o diafragma
sobe, empurrando os pulmões para cima e abrindo lugar novamente aos órgãos
internos, que encontram lugar dentro do abdômen e “entram”, fazendo com que sua
barriga “murche”.
Expire mais lentamente que o tempo de inspiração,
preferencialmente no dobro do tempo.
Para treinar até aprender, você pode fazer isso deitado,
colocando as mãos sobre o abdômen, depois sobre as costelas e depois sobre o
peito, até entender a mecânica dessa respiração.
Depois, sente-se confortavelmente e feche seus olhos. Comece
a praticar cinco minutos por dia.
Você pode fazer mentalizações e visualizações durante seu
Raja Pranayama: visualize partículas douradas adentrando suas narinas durante a
inspiração. Mentalize que essas partículas tomam conta de todo seu corpo e
levam a cada célula saúde, vitalidade, disposição, enfim, o que você desejar, tornando
sua prática ainda mais introspectiva e profunda.
Após algumas semanas de prática, você poderá notar
diferenças no seu cotidiano.
Poderá notar melhoria no sono, serenidade em situações
difíceis, calma em meio a discussões, mais disposição física, maior
concentração e foco.
Experimente. Respirar é preciso!

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